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Acidente

Ex-soldado, ferido em acidente com caminhão do Exército em Barras PI, passa por dificuldades

A família teve a reforma do ex-soldado negada e passa por dificuldades financeiras, já que o atestado médico o considerou incapaz para o trabalho. A mãe precisou largar o emprego para cuidar do filho.

25/06/2020 20h34
Por: Direto da Redação
Ex-soldado, ferido em acidente com caminhão do Exército em Barras PI, passa por dificuldades
Ex-soldado, ferido em acidente com caminhão do Exército em Barras PI, passa por dificuldades
 

Cássio Ângelo Amador da Silva estava no grave acidente com comboio do Exército Brasileiro, que matou um militar e deixou outros 25 feridos. Na época, ele tinha 18 anos. Hoje, pouco se recorda daquele momento ou de acontecimentos anteriores a esse fato, Cássio, inclusive, não recorda das vivências no Exército. A família teve a reforma do ex-soldado negada e passa por dificuldades financeiras, já que o atestado médico o considerou incapaz para o trabalho. A mãe precisou largar o emprego para cuidar do filho. 

"Não lembro. Não consigo. (Só sei) porque tenho fotos, vídeos gravados no celular", diz o jovem, que ficou com dificuldade na fala.  Ele mora com a mãe na Vila Brasilar, na região do Porto Alegre, zona Sul de Teresina. Durante os últimos três anos, Francisca Silva precisou abandonar o trabalho para cuidar do filho e passou a enfrentar dificuldades para que ele continue com o tratamento. Os dois viviam do salário que Cássio recebia no serviço militar. 

A mãe esperava a aposentadoria do ex-soldado para continuar garantindo o sustento da família, mas, no início desse mês, o benefício foi negado e o único auxílio prometido é o plano de saúde. "Eles destruíram  o sonho do Cássio. É muito revoltante porque o Cássio hoje tem tremor na cabeça, ele toma quatro remédios por dia, fora os outros que são tarja preta". 

Em nota, o 2º Batalhão de Engenharia de Construção (2º BEC) diz que Cássio foi considerado incapaz para o serviço militar, porém a alega que a inspeção médica não considerou o jovem inválido, contraindo a lei que garante a reforma militar. 

O laudo médico assinado pelo neurologista  Emidio Fernandes atesta que o jovem sofreu traumatismo craniano encefálico, que desde os primeiros momentos de recuperação demonstrava déficit de memória, vertigens, distúrbios comportamental e psiquiátrico. Esse atestado considera Cássio incapaz para o trabalho. 

Outro lado, mais recente,  de 16 de junho de 2020, confirma o déficit cognitivo e aponta que as atividades de vida civil são limitadas desde a época do acidente, que aconteceu em 9 de julho de 2017 com um caminhão do Exército Militar entre os municípios de Barras e Cabeceiras. 

O 2º BEC destaca que o processo de Francisca Silva foi concluído, deixando indignação e desalento. "Era o grande sonho dele. Era crescer, ser operador de máquina, queria fazer, aquilo, me ajudar. E hoje ele se encontra assim, com o sonho destruído", disse a mãe de Cássio, que vive uma situação difícil, pois a negação da reforma do ex-soldado inviabiliza a vida dele daqui pra frente porque ele não possui condições de trabalhar. A mãe que trabalhava como diarista agora precisa se dedicar a cuidar do filho. Hoje, a família não possui condições financeira de pegar um transporte e continuar o tratamento multidisciplinar de Cássio. 

Nesse mesmo acidente, Pedro Henrique Pimentel, de 18 anos, morreu. A família de Pedro não foi indenizada e não recebeu o Seguro DPVAT (Danos Pessoais por Veículos Automotores Terrestres) pela morte do jovem. Procurada pela equipe do Jornal do Piauí, a mãe do ex-soldado não quis gravar entrevista, demonstrando revoltada com o desfecho do caso.   Sobre esse ponto, o 2º BEC disse que o processo tramita em juízo competente. 

Na cabine do caminhão estava o motorista Denilson Sousa Cunha e o responsável pela tropa, tenente Jader Batista.O comboio realizava serviços na rodovia BR-222, obra do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a cargo do 2º BEC.

No dia 30 de janeiro de 2020, o motorista foi julgado pelos crimes de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, e embriaguez ao volante e no serviço. Por unanimidade, o réu foi condenado há três anos e seis meses em regime aberto. A defesa recorreu da sentença e responde o processo em liberdade. 

Em nota, o 2º BEC também informou que o Ministério Público Militar havia aberto inquérito para apurar a responsabilidade do oficial que comandava a tropa, mas, depois das investigações, o inquérito foi arquivado. A decisão foi acatada pela Justiça Militar. 

O BEC acrescenta que em 2018 o tenente Jader Batista foi desincorporado do Exército. A produção do Jornal do Piauí, que veiculou a reportagem nesta quinta-feira (25), buscou mais informações com o Ministério Público Militar, mas o procurador chefe, Antônio Cerqueira, afirmou que esclarecimento sobre os processos em trâmite na  Justiça Militar da União só podem ser repassadas às partes envolvidas. 

Carlienne Carpaso

cidadeverde.com 

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