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Cultura barrense

Conto: Barras, uma idéia poética do marataoan.

Barras de formas e idéias, em que os amantes da poesia bebem o mistério desse mundo marataoan.

10/07/2019 09h32Atualizado há 3 meses
Por: Redação II
Fonte: PVPI
Bela ilha dos amores no rio marataoan
Bela ilha dos amores no rio marataoan

Conto: Barras, uma idéia poética do marataoan.

Barras de formas e idéias, em que os amantes da poesia bebem o mistério desse mundo marataoan.

És terra que os cabelos das carnaúbas silentemente é leque profundo no eterno jogo da brisa leve a varrer os céus.

Cidade cujas ruas têm nome e as casas de uma arquitetura inenarrável é uma arte.

Saudade desse torrão natal.

O mudo silêncio da distância é inestável e suspiro que não se apaga com o silêncio infindo da nostalgia. O marataoan é rio a correr vago em mim e se vai esvaindo nas pedras das lavadeiras.

O céu azulino é amplo pavilhão na eternidade da minha memória. Abre-me o sonho de barrense na praça senador Joaquim Pires Ferreira.

Os dias de criança foram loucura tenebrosa por entre os bancos mornos da praça. A treva negra dos que viveram momentos infinitos. O descanso do poeta é o desvario, sem poesia.

A igreja é sentir, viver e ter o mundo sonhado nos laços de compreensão da saudade. O sino no alto da torre é alma gelada.

O poeta é supremo adorando o Cristo negro sob mistério tornado carne. Orgulho barrense é atro que me diz inconscientemente que sou humano.

O som do grilo nos jardins por trás da igreja é mais real que o mundo, na existência enorme, do amontoar de coisas vistas na minha terra.

Barras é uma santa devota do meu mundo, porque o que eu sou e que não sei sentir que sou, ela conhece desde tempos remotos.
O azul, vermelho e branco da bandeira é ufanismo e consciência.

É orgulho consciente, é um símbolo encarnando na fria pele, no pedaço da alma de barrense. Minha terra é arremessada para o mundo. É saudade pávida da pátria.

É um sistema dentro de outro sistema e metido no universo piauiense. Os olhos da cidade não se desviam de mim. São olhos da cidade na inumana alma de um ser personificado.

Cada vez sinto mais como se eu vivesse esse amor ufanista, onde o sonho é o que menos importa para uma consciência alerta que apenas sonha mais profundo que o romance, a fantasia, o irreal.

As matas de minha terra é a diversidade, do tudo sendo. É o mistério do mundo no verde das árvores, no íntimo das águas. A simplicidade do meu povo é possuída nos inocentes.

Na simplicidade vácua imensurável dessa gente em que o pensamento friamente ocupa-se do tudo.

Tremo de medo de não mais voltar ali. É o segredo aberto de uma pessoa confidente.

De um qualquer, desse ser que a distancia é um problema e que perturba a mente demais. Sem Barras, é um sem existir. É um mundo que não existiria dentro de mim.

Não é a dor que eu me queixo. É a dor que me oprime, não a de não saber, mas apenas a que doe completamente.

Beirando as águas do marataoan onde o mistério é visto de frente a frente. Ilha do amor é compreendida na infinidade de mistério do verde e da passarada. O centro é alheio para eu ser e admirá-lo.

Há entre mim e o real véu da cidade uma própria concepção impenetrável da saudade.
Não me concebo amando Barras sem combater os outros vivendo com os outros. Há, em mim, uma possibilidade da cidade existir e ter alma. Alma exterior a minha.

As tardes barrenses adivinham poder e segredo no mistério ilúcido do sol com as ultimas réstias de luz.

Poucos de sua gente admiram esta emoção. Os pássaros recolhendo-se é vaga esperança quase amarga da sensação que dás.

Que importa na cidade? Tudo é o mesmo. De manhã inda d'orvalho arrepiada na pele nua. Meio dia é ligeiro o sol, com pesado em nuvens. Na noite misteriosa, e tudo, se nela penso, só me amarga e me angustia o mistério.

Barras acorda, abre os olhos. Barras vive! Barras é viva ainda! Sob as luzes incandescentes dos portes torno a ver-te, sob a luz pálida, fluorescente e silente da luz dos portes. Essa terra é onde estive. É onde estarei um dia.

Hoje ferve em mim, a vontade, a inquietação indefinida da volta ao seio natal. Da mente ociosa um eco de tumultos e de sombras urbanas.

Um poviléu de fantasmas gritantes com suas buzinas, com os portes e luzes, com os cantos dos carros, com os gritos da violência, com os desejos pueris, com as lágrimas dos filhos pátrios sem pátria, com as chamas sem corpos.

O ritmo referve e é tumulto misturado ao caos. O ritmo diário é esvaído na confusão noturna da cidade que adormece. Na falta de piedade e sem visões futuras.

O esforço da mente para recordar o passado é como ressuscitar fantasmas ou vagas lembranças.

 

Por: Joaquim Neto Ferreira

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