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Piauí

Filme sobre Niède Guidon será exibido pela primeira vez no Piauí

O filme marca a retomada do cinema piauiense

02/06/2019 21h21
Por: Direto da Redação
Fonte: Cidadeverde.com

O documentário NIÈDE será exibido pela primeira vez no Piauí. Os moradores e a comunidade de São Raimundo Nonato terão oportunidade de participar de uma sessão gratuita do filme durante a programação do aniversário de 40 anos do Parque Nacional da Serra da Capivara. O lançamento solene acontece às 19h da próxima quarta-feira (5) e terá a presença do diretor Tiago Tambelli. A exibição reunirá os protagonistas, autoridades,  comunidades da zona de entorno da unidade de conservação. A sessão será feita pelo CINESOLAR - projeto de cinema sustentável com o uso de energia solar.

O filme apresenta a trajetória da arqueóloga brasileira Niéde Guidon, que nos anos de 1970 deixou Paris, onde lecionava na  École des Hautes Études em Sciences Sociales, para imergir na caatinga do sudeste do Piauí, revelar ao mundo as milhares de pinturas rupestres espalhadas pela região e lutar pela criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, Patrimônio Cultural da Humanidade (Unesco) e um verdadeiro museu a céu aberto.

Ao longo de 135 minutos, o espectador mergulha na vida de Niéde. O fio da memória da pesquisadora, nascida em Jaú, SP, do casamento de uma brasileira e um francês, e que jamais imaginou trocar Paris por São Raimundo Nonato, vai sendo tecido por quem esteve com ela desde a chegada à região, como a amiga Sílvia Maranca, os mateiros João da Borda, Justino, Nilson e Nivaldo, que abriram os primeiros caminhos na caatinga e apresentaram centenas de tocas e pinturas. Mulheres que tiveram sua vida modificada pela ação de Niéde de valorizar o feminino, ou ainda colegas da academia como o atual chefe da Missão Francesa de Pesquisa na Serra da Capivara, o especialista em líticos, Eric Boeda. 

Referência local, a presença  de Niéde, hoje com 86 anos, impactou, e ainda impacta, a vida de crianças, mulheres, homens, mateiros, estudantes, exploradores de cal, caçadores, guardas-parque, políticos, pesquisadores, comerciantes. Como pontuam historiadores locais, Niéde inaugurou um novo ciclo na região até então esquecida por muitos, que já dura mais de 40 anos.

No filme, o diretor Tiago Tambelli, conduz o espectador a uma viagem de fruição que lhe permite sentir a pujança da fauna e da flora do lugar e maravilhar-se com algumas das mais antigas pinturas rupestres do continente de sítios arqueológicos localizados dentro do Parque e fora dele. O mistério do surgimento do homem povoa as paredes de um enorme número de “tocas” – pouco mais de mil cavernas foram identificadas. Há, ainda, um número significativo desses locais a ser descoberto, mapeado e estudado naquela região, reconhecida mundialmente como a de maior concentração de sítios pré-históricos das Américas.

“Contar a história de Niéde Guidon é também contar a história da humanidade. O documentário revela o tamanho do esforço e dedicação de Niéde para preservar as memórias da pré-história e o filme é uma celebração as nossas ancestralidades, humanas e naturais”, afirma Tambelli, destacando o grande desafio que foi realizar esse filme.

O longa coproduzido pelas produtoras B&T Audiovisual, do Piauí, e Lente Viva Filmes, de São Paulo, contou com aportes do Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Piauí (Secult), e recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) - edital Prodecine 01/2016, administrados  pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e geridos pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE). A obra contou ainda com patrocínios culturais da Ouro da Mina, BR Locadora e Pousada Zabelê. A distribuição está a cargo da ELO Company.

O filme marca a retomada do cinema piauiense e se configura como o primeiro longa com projeção nacional realizado por produtora piauiense, com estreia no maior evento de documentários da América Latina, o Festival É Tudo Verdade.

“Esse filme mostra a história de Niéde e as nossas riquezas. Representa uma realização importante para as produtoras e para o Estado do Piauí. Ele se configura em um marco da produção local, possível graças aos investimentos do Governo do Estado do Piauí, do Fundo Setorial do Audiovisual e à co-produção com a Lente Viva, aos parceiros, apoiadores e equipe envolvida, enfim, todos aqueles que acreditaram e apostaram no projeto, parte que considero o maior desafio de uma grande produção”, destaca Talyta Magno, da B&T.

Da Redação
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