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27/10/2018 ás 18h04

Redação II

Barras / PI

Festival Internacional de Dança lança programação em Teresina
Em um momento de dificuldades para a gestão e produção artística no Brasil e no mundo, em que questões de ordem econômica, política e social têm causado o fechamento ou adaptações no formato de diversos espaços e eventos de arte, o JUNTA - Festival Intern
Festival Internacional de Dança lança programação em Teresina
Reprodução

Em um momento de dificuldades para a gestão e produção artística no Brasil e no mundo, em que questões de ordem econômica, política e social têm causado o fechamento ou adaptações no formato de diversos espaços e eventos de arte, o JUNTA - Festival Internacional de Dança lança a programação de sua 4ª edição discutindo sobre as artes, trabalho em rede e resistência, com troca de experiências sobre festivais ao redor do mundo e a participação dos artistas ingleses Helen Cole e Alex Bradley.


O evento, realizado na última quinta-feira (25), na Galeria The Doors, em Teresina, é de grande importância para quem produz arte na cidade, por este ser um ano difícil para as produções locais. Por duas vezes, o próprio JUNTA foi adiado, mas através de uma parceria com o Festival Panorama, um dos grandes festivais de dança no Brasil, com 27 anos de história e referência internacional, vai acontecer de 8 a 12 de novembro, no Rio de Janeiro, e de 14 a 18 de novembro em Teresina. A articulação, que possui apoio da Oi através do Programa Pontes, está viabilizando a realização dos dois festivais, além de possibilitar a realização do JUNTA também fora de Teresina pela primeira vez, dentro da programação do Panorama, no Rio de Janeiro.


Idealizado pelos artistas e gestores culturais Janaína Lobo, Datan Izaká e Jacob Alves, o JUNTA se faz da união não apenas de iguais, mas dos diferentes pensamentos que podem conviver no ambiente criado pelo Festival.


“Juntar sempre foi no sentido de articular sentidos, ideias, pessoas e ações. Juntar, nesse caso, é político. E o nosso JUNTA nunca foi sobre uma concentração, mas sobre potencializar para espalhar. Esse ano, uma das nossas ações é abrir o Festival para que mais artistas de Teresina falem sobre ele. A gente percebeu que as pessoas tomam o JUNTA como delas. E é isso mesmo. Isso vai deixando a gente vivo e faz a gente ficar pensando nele a cada ano, refletindo sobre e não só como uma coisa resolvida, consolidada no tempo. Esse ano pensamos muito sobre autonomia do Festival e entendemos que quando uma coisa tem que acontecer, ela tem que acontecer! Foi um ano de perdas de parcerias, mas também de conquista de outras muito importantes nesse momento”, explica Janaína Lobo.


Neste ano, o JUNTA assina a curadoria nacional dos espetáculos que vão estar no Festival Panorama. São três trabalhos de artistas teresinenses: o “Treta”, da Original Bomber Crew, o “Trindade”, da Só Homens Cia de Dança, e o “Entre”, de Datan Izaká. 


Durante a abertura do evento, a direção do JUNTA pontuou a importância de manter a existência do Festival nesse cenário em que muitas outras ações estão deixando de acontecer, e no qual novas parcerias estão sendo formadas para que os artistas resistam e sigam buscando o crescimento e a valorização do seu trabalho. Sobre o contexto teresinense, os diretores lembraram do fechamento do Balde (espaço cultural que funcionava no bairro Dirceu Arcoverde, abrigando organizações artísticas, residências e ateliês), do Balé de Teresina (que tinha direção de Luzia Amélia, uma referência na dança em nosso estado), e do Salve Rainha.


“A gente realmente não fica feliz com as coisas que estão deixando de existir, mas acho que o mais importante é não perdermos esse tipo de parceria, que é o querer estar junto, acompanhar a programação, ajudar na divulgação. Essas são as parcerias mais duradouras e mais importantes para a gente, enquanto festival. Temos vários amigos do Festival que nos procuraram no meio das nossas dificuldades para dizer que continuam com a gente. Pessoas se propuseram a ser voluntários e a gente percebe que isso, de certa forma, é também a apropriação do Festival. O JUNTA é de quem quer que ele seja seu. Se a gente não toma de conta, não toma para si, as coisas se acabam. Acho que isso é o mais importante ao pensar sobre parceria, sobre apoio e continuidade”, friza Datan Izaká.



Acampamento Selvagem


O JUNTA se define como um conjunto de ações artísticas e formativas, tendo a dança contemporânea como objeto e ponto de reflexão sobre a arte e o mundo. Busca a experiência estética, o encontro, a formação artística e de público, o fomento à dança e arte locais, a criação e manutenção de redes de conexão e a ressignificação de espaços públicos. Visa “deseducar o olhar”.


A cada edição, a direção do JUNTA pensa em palavras que ajudam a nortear esteticamente e politicamente o Festival. Neste ano, duas palavras foram o subtítulo do JUNTA: Acampamento Selvagem. 


“Para a gente, essas duas palavras são muito importantes. A gente sente que a ideia de acampar faz muito sentido hoje, a ideia de ocupar, porque temos perdido muitos espaços na cidade que são importantes e que produzem movimentos de formação e cultura. ‘Acampar’ se relaciona com a ideia de a gente se reconectar com o problema desses espaços acabarem. ‘Selvagem’ também tem uma relação com um contexto que é muito atual. A gente está vivendo politicamente questões muito fortes sobre a ideia de democracia, de muita coisa que a gente passou muito tempo conquistando. Selvagem tem muito forte a ideia de voltarmos a ser de alguma forma, selvagens - voltar a precisar lutar, da gente se reconectar com isso, parar de pensar numa ideia de discurso que é verbal e talvez trazer ele de volta pro corpo. São questões que têm sustentado a ideia do que a gente propõe como Festival”, explica Jacob Alves.



Programação


O Festival já contou com a participação de artistas das mais diversas cidades brasileiras e de vários pedaços do mundo como Chile, França, Espanha, Argentina, Moçambique, entre outros. Entre as atrações internacionais está Helen Cole, que trouxe para Teresina a residência “Breathe”. “A partir dessa parceria que tivemos com o Panorama a gente ganhou esse presente. A Helen veio para cá fazer uma residência com artistas do Piauí, para fazer um trabalho de gravar a respiração de gente dançando. Esse tipo de conexão e esse tipo de troca é algo que nos interessa muito, de artistas virem pra cá e a gente ir pra outros lugares e acontecer essas conexões”, observa Jacob.


 


14 de Novembro - CAMPO


19h - Abertura


20h30 - Treta (Original Bomber Crew)



15 de Novembro - Escola Estadual de Dança Lenir Argento/Galeria Nonato Oliveira


16h - O Batedor de Bolsas (Dalton Paula) - videoinstalação


19h - Gentileza de um Gigante (Gustavo Ciríaco)


20h30 - Braços pra que te quero (Ireno Gomes)


21h30 - MONSTRA (Elisabete Finger)



16 de Novembro - CAMPO


16h - O Batedor de Bolsas (Dalton Paula) - videoistalação


19H - Trindade (Só Homens Cia de Dança)


20h30 - Consubstanciation (Dinis Machado)


21h30 - Travesqueens (Ricardo Marinelli e Erivelto Viana)



17 de Novembro - Biblioteca Cromwell de Carvalho


16h - O Batedor de Bolsas (Dalton Paula) - videoinstalação


19h - Nebulosa (Vanessa Nunes)


20h30 - Urubu também é Pássaro (Jacob Alves)


21h30 - Z (Alejandro Ahmed)



18 de Novembro - The Doors


16h - Acampamento Selvagem (encerramento)

FONTE: Cidade Verde

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