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18/10/2018 ás 09h44 - atualizada em 18/10/2018 ás 11h14

Redação II

Barras / PI

Amigos da Comunidade aproximam crianças; inclusão social
Em Teresina, por exemplo, há 11 anos, quatro amigos que estavam preocupados com a violência dentro da comunidade onde moram criaram a Organização Não Governamental “Amigos da Comunidade”, que leva até as crianças da periferia da capital atividades de esp
Amigos da Comunidade aproximam crianças; inclusão social
Reprodução

Uma ideia seguida de uma ação é, muitas vezes, o suficiente para mudar a realidade de alguém. Em Teresina, por exemplo, há 11 anos, quatro amigos que estavam preocupados com a violência dentro da comunidade onde moram criaram a Organização Não Governamental “Amigos da Comunidade”, que leva até as crianças da periferia da capital atividades de esporte com uma escolinha de futebol, aulas de informática e palestras educativas. Atualmente, o grupo formado por voluntários atende 113 crianças e adolescentes.


O projeto é desenvolvido no bairro Anita Ferraz, na zona Leste da cidade, e busca proporcionar um ambiente seguro às crianças e adolescentes, onde pudessem se divertir e aprender sem se preocupar com a violência presente na região. Para isso, a ONG conta com atividades diversas, como escola de futebol e futsal intitulada Força Jovem, aulas de informática, grafite, dança e palestras educacionais sobre sexualidade e drogas, todas ministradas por voluntários da própria comunidade ou parceiros do projeto.


Ezequiel de Sousa é um dos quatro amigos que deram origem à ONG. Ele fala que, por serem membros da comunidade e terem crescido ali, conhecem a carência de um espaço ou ação dentro do bairro voltados para o desenvolvimento dos jovens. “Infelizmente, na nossa região, assim como em vários outros locais da periferia de Teresina, a violência e as drogas são problemas constantes. Em 2007, começamos o projeto na quadra poliesportiva da região com cerca de 15 alunos e, com o tempo, vimos que o crescimento da ideia estava acontecendo", fala o voluntário.



Ezequiel de Sousa, um dos idealizadores do projeto (Crédito: Leo Vilari)
Ezequiel de Sousa, um dos idealizadores do projeto (Crédito: Leo Vilari)



 


Devido ao crescimento, o grupo passou a se utilizar do campo do bairro, e ainda assim eles perceberam que alcance dos trabalhos aumentava cada vez mais. O grupo decidiu então, em 2015, fazer a oficialização da ONG. A partir desse momento, o grupo começou a procurar parceiros para desenvolver as atividades com os jovens da região. “Nós temos a FUNACI, que nos ajuda com as aulas de informática, cedendo o espaço; o grupo Seja um Milagre; as meninas do PLAN e a comunidade Terapêutica Padre Pio, que também é um exemplo dos nossos parceiros. Entre outros que nós procuramos ou que vieram até nós após conhecer o projeto”.


Com o crescimento do projeto, a ideia por trás do trabalho da ONG passou a ser se aproveitar dos espaços públicos da comunidade, como o campo e escolas da região, para proporcionar atividades educativas para os jovens, além de uma aproximação da comunidade. “Nossa ideia é formar cidadãos através do nosso trabalho, tendo os pais e as famílias bem próximos das crianças, acompanhando o crescimento delas”, diz Ezequiel.


Esporte como atrativo


 


O esporte mais uma vez aparece dentro dessa história como um importante elemento de atração para as atividade da ONG “Amigos da Comunidade”. Davi Cardoso da Silva é outro dos quatro amigos que deram origem aos trabalhos da instituição. Ele coordena as aulas de futebol e futsal, que acontecem no período da noite, às segundas, quartas e sextas-feiras, e fala as razões para escolha das modalidades.


“O brasileiro gosta muito de esporte, e em especial, do futebol, isso não é diferente aqui na comunidade. Os garotos gostam do futebol, gostam de jogar e sempre estão dispostos a bater uma bolinha. Trazer o futebol para as nossas atividades facilitou trazê-los para o projeto e afastá-los da criminalidade e das drogas”, explica Davi.



Davi Cardoso coordena as aulas de futebol e futsal (Crédito: Leo Vilari)
Davi Cardoso coordena as aulas de futebol e futsal (Crédito: Leo Vilari)



 


Ele acrescenta ainda que o baixo custo que a atividade representa para a organização também teve sua influência na escolha, já que a ONG não possui fins lucrativos e nem apoio financeiro de outras instituições. “As nossas parcerias conseguem nos ajudar a conseguir equipamentos como as bolas e redes”.


O professor acrescenta ainda que o principal sentimento que fica após cada aula, mesmo com as dificuldades que se apresentam para eles, é a sensação de dever cumprido. “Essa é uma missão que Deus nos deu, recebemos críticas sobre a forma que realizamos o trabalho, mas, ao mesmo tempo, também temos a comunidade que nos apoia e agradece, e esse é o reconhecimento pelo nosso trabalho, que nos incentiva a continuar os trabalhos”, diz o voluntário. (J.M.F.)


 


Profissionalização com as aulas de informática


Dentro do projeto, existem aqueles que esperam um futuro no esporte, mas também existe a proposta de levar novas opções de futuro para as crianças e jovens do bairro Anita Ferraz, através das tecnologias. O espaço cedido pela FUNACI possibilita que o professor voluntário dê aula de informática para 20 dos jovens que compõem o projeto. O curso de informática dura seis meses e sempre que abrem as vagas para uma nova turma, rapidamente elas se esgotam.



 (Crédito: Leo Vilari)
(Crédito: Leo Vilari)



 


“O curso dura seis meses, após isso damos um rápido intervalo para que o nosso professor voluntário descanse e, em seguida, abrimos as novas inscrições para as novas turmas. A procura é tamanha que teríamos crianças sobrando, mesmo se fossem abertas mais quatro turmas”, revela Ezequiel.


A ideia é proporcionar aos jovens o ensino para que eles saibam lidar com as novas tecnologias em sua vida, já que, atualmente, as oportunidades que surgem, geralmente, estão ligadas ao meio tecnológico, de alguma forma. “Quando vemos que o jovem tem o interesse nessa área, buscamos dar o maior apoio possível para que ele atinja seus objetivos. Por causa disso, nós analisamos bastante quando vamos montar uma turma de informática, para podermos oferecer àqueles que realmente se interessam pela área a oportunidade de crescer e aumentar seus conhecimentos”, fala Ezequiel de Sousa.


Filhos contentes, pais orgulhosos


 


Mas será se participar do projeto realmente ajuda as crianças a crescerem como cidadãos e pessoas? Os pais que acompanham de perto seus filhos afirmam que sim. O filho de Irapuan Pereira entrou nas atividades da ONG há cerca de quatro anos e, nesse tempo, Irapuan afirma que o garoto mudou para melhor.



Irapuã acompanha filho na escolinha de futebol (Crédito: Leo Vilari)
Irapuã acompanha filho na escolinha de futebol (Crédito: Leo Vilari)



 


“Antigamente, o meu filho ficava muito em casa, no videogame, televisão e quase não ia para a rua se divertir com os amigos. Quando nós saíamos em família, por não ter costume de sair de casa, ele ficava acanhado e quase não interagia. Hoje, isso mudou completamente, ele é antenado em tudo o que acontece, é disposto a participar das atividades”, fala o pai.


Ele ainda destaca que o projeto só traz benefícios para a comunidade. “Hoje, as drogas estão muito fortes na sociedade, manter as crianças aqui ajuda a afastá-los desse tipo de coisa. Além disso, eles promovem o estreitamento dos laços familiares, é muito legal a alegria das crianças quando eles vão para os campeonatos e os pais os acompanham”, conta Irapuan.



José Carlos se orgulha do filho e das mudanças que o projeto proporcionou (Crédito: Leo Vilari)
José Carlos se orgulha do filho e das mudanças que o projeto proporcionou (Crédito: Leo Vilari)



 


José Carlos Gomes também acompanha os três filhos durante as atividades desde quando eles entraram no projeto, há cerca de dois anos. Para ele, os quatro voluntários trouxeram algo essencial para a região. “É muito bom ver que eles amam o que fazem, dá gosto trazer meus filhos para cá, para que eles se divirtam e aprendam. O comportamento deles também melhorou bastante, eu só tenho a agradecer a eles”.


 


Jovens adoram atividades


Os jovens também aprovam todas as atividades realizadas. Luís Felipe Oliveira Rocha entrou no projeto há um ano e fala que gosta do projeto, pois ele trouxe uma atividade que ele gosta para a parte da noite. “É muito bom eu chegar da escola de manhã, descansar a tarde e saber que de noite eu vou poder jogar bola com os meus amigos. Fora as outras palestras e aulas que eles trazem para a gente”.


 



 Luis Felipe adora as atividades da ONG (Crédito: Leo Vilari)
Luis Felipe adora as atividades da ONG (Crédito: Leo Vilari)



 


Hernandes Ferreira de Sousa participa das atividades do projeto há um ano e meio. Para ele, o treino de futebol se tornou algo indispensável depois da escola. “Agora eu posso treinar com o pessoal e melhorar ainda mais o meu futebol, é muito legal ter o Davi para ensinar a gente”.



Hernandes participa do projeto há mais de um ano (Crédito: Leo Vilari)
Hernandes participa do projeto há mais de um ano (Crédito: Leo Vilari)



 


Planos para o futuro


E o grupo não pretende parar suas atividades tão cedo. A ideia agora é expandir ainda mais os trabalhos, chegando até mesmo a levar a ONG para outras comunidades de Teresina que tenham a mesma carência detectada pelo grupo há 11 anos atrás, na região da Anita Ferraz.


“Queremos aumentar nosso leque de atividades, além de levarmos nosso trabalho para os demais bairros que também precisem de um espaço para as crianças e jovens. Sabemos que é algo que não vai acontecer do dia para noite e que vamos encontrar problemas no caminho, mas com a ajuda de nossos parceiros e de todos os envolvidos no projeto, com certeza vamos alcançar nossos objetivos e ajudar ainda mais jovens e crianças que precisam do nosso trabalho”, fala o voluntário Ezequiel de Sousa. (J.M.F.)


 

 

FONTE: meio norte

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